
Rômulo Wanderley
(1910-1971) era assuense da gema. Escreveu uma das primeiras antologias dos
poetas potiguares, intitulada "Panorama da Poesia
Norte-Rio-Grandense", 1965. Rômulo estudou no Grupo Escolar Ten. Coronel
José Correia, de Assu, Colégio Santo Antônio e no Atheneu Norte-Rio-Grandense
(da rua Junqueira Aires), de Natal, bem como no Colégio Osvaldo Cruz, do Recife
e depois fez o curso de direito pela importante Faculdade de Direito, daquela
capital pernambucana. Foi promotor público. Teve o privilégio de ter sido
contemporâneo de Demócrito de Souza, que tombou morto numa concentração
política, na cidade do Recife. Ainda nos seus tempos de Assu, fundou o jornal
"O Bentivi". Em Natal foi professor, exerceu a profissão de
jornalista, bem como foi auxiliar dos governadores José Varela e Aluízio Alves.
Junto com Câmara Cascudo fundou a Academia de Trovas do Rio Grande do Norte.
Era membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.
Wanderley colaborou literariamente no jornal Tribuna do Norte, de Natal (coluna
intitulada Crônica da Manhã). Antes, teria sido redator dos jornais A
República, O Diário e depois Diário de Natal, além de A Notícia, daquela terra
natalense. Por sinal, a escritora assuense de Lavras Maria Eugênia, já
falecida, primeira mulher a assumir a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras
foi quem assumiu a cadeira deixada por ele, Rômulo Wanderley, em 1971. Ezequiel
Fonseca Filho no seu livro Poetas e Boêmios do Açu, 1984, depõe que em 1950
aquele vate assuense se encontrava no Rio de Janeiro, onde escreveu o amoroso
poema adiante:
Seria para mim uma ventura rara
Se o Destino, ficando mais amigo,
Deixasse-me contigo
Viver tranquilamente, o nosso amor
Sob e edênico esplendor
Do céu da Guanabara.
Céu azul, que recorda o Norte do Brasil,
E, às vezes, as manhãs da fria
Escandinávia...
E como um artista apaixonado, eu traçaria
O teu gracioso perfil
Junto a pedra da Gávea.
Depois,
Bem felizes os dois,
Inebriados diante da paisagem,
E ardendo ao calor deste profundo amor,
Cairíamos febris, em frente ao mar,
Para amar...
Para amar.
FONTE – BLOG DE FERNANDO CALDAS..